" [...] Que minha solidão me sirva de companhia
que eu tenha a coragem de me enfrentar
que eu saiba ficar com o nada
e mesmo assim me sentir
como se estivesse plena de tudo".
{Clarice Lispector}
-
Lancemos aglutinante asfáltico sobre estes buracos, plantemos flores à beira da estrada, sentemos a cada por do sol abaixo da árvore da Vida e esperemos por outro raiar do dia. Porque o amor é assim, uma caminhada longa e complicada, caminhada essa que poucos estão dispostos a fazer. Dói o pé, cria bolhas e em certos momentos você se sente tão cansado, mas Deus é tão bom que deposita forças e graça a cada dia. Que saibamos usar as dificuldades a nosso favor, que isso nos faça crescer, que faça de nós um ser humano melhor... Porque somos parte um do outro, somos um só.
Bom dia!
-
Nosso tempo aqui é tão curto, mas mesmo assim insistimos em viver como se nossa passagem aqui na terra fosse longa, mas não é. Eu não sei nada sobre o tempo e sobre as rotas da vida, a única coisa que eu sei é que não temos todo o tempo do mundo, nem todas as oportunidades para acertar, mas há escolhas na vida que são únicas e a pergunta que te faço é: Direita ou Esquerda? Você precisa escolher para onde está indo. A vida é preenchida por escolhas e agora é a sua vez de tentar acertar.
Bom dia!
Vazio
Existe uma parte de mim que
tenta compensar os estragos das "ausências"; e quando digo ausências
não falo somente de pessoas, mas de momentos, coisas e sentimentos. Abstratos.
Intocáveis. Eu defino como ausências por não saber exatamente o que ou quem
são, sei somente que faz falta. Essa minha parte pode ser nomeada
basicamente de estressada, ansiosa e possui níveis de sanidade mental
totalmente alterado. É controladora, tem um senso de justiça apurado e explode
frente às desigualdades e impunidades do mundo. Essa parte se diz forte, mas
não é. É impulsiva, agressiva... Ela é sangue.
Já a outra metade tenta o diálogo. Consegue lidar com desafios e experimenta da tolerância e complacência. Teoricamente ela tenta compensar a outra parte que é totalmente descompensada. Aí vão horas com autoterapias musicais, e outras válvulas de escape que surgem no meio do caminho. Ferramentas úteis na hora de tentar não enlouquecer. É conflitante tentar entendê-las. É angustiante viver entre essas duas pessoas que no final das contas sempre serão eu. É difícil dominá-las, digeri-las e transformá-las em algo menos "agressivo" para o lado externo. É difícil ter uma linha de personalidade tão definida e tentar confrontá-la e maquiar certos sentimentos. Como lidar?
E cá estou eu me afundando cada vez mais em cavernas dentro de mim, acreditando que a melhor solução para todas as "outras coisas" é guardar em algum buraco dentro do coração e lançar ao esquecimento os problemas que considero insolucionáveis. Dizem: "Deixa, o tempo cura tudo". Pf! Conversa fiada. O tempo não cura nada. Não adianta esperar pelo tempo, porque ele não resolve nossos problemas como todos dizem. O tempo não aplaca saudades, não repara mal entendidos. O tempo não pede perdão por você, o tempo não arranca a mágoa do peito. O tempo só mascara... O tempo ameniza em doses homeopáticas aquela dor que antes era tão insuportável, mas isso não é cura, é costume. A gente passa a conviver com esses conflitos, com essas dores, com esses sentimentos trancados dentro de nós e uma hora ou outra nosso lado mais insano prevalece. Então, eis aí a grande questão que ainda não obtive resposta, como lidar? Ao final somos apenas isto... Uma água fina que escorre dentro de uma gruta vazia. Somos VAZIOS. E a nossa vida é correr incansavelmente tentando preencher nossas ausências...
Já a outra metade tenta o diálogo. Consegue lidar com desafios e experimenta da tolerância e complacência. Teoricamente ela tenta compensar a outra parte que é totalmente descompensada. Aí vão horas com autoterapias musicais, e outras válvulas de escape que surgem no meio do caminho. Ferramentas úteis na hora de tentar não enlouquecer. É conflitante tentar entendê-las. É angustiante viver entre essas duas pessoas que no final das contas sempre serão eu. É difícil dominá-las, digeri-las e transformá-las em algo menos "agressivo" para o lado externo. É difícil ter uma linha de personalidade tão definida e tentar confrontá-la e maquiar certos sentimentos. Como lidar?
E cá estou eu me afundando cada vez mais em cavernas dentro de mim, acreditando que a melhor solução para todas as "outras coisas" é guardar em algum buraco dentro do coração e lançar ao esquecimento os problemas que considero insolucionáveis. Dizem: "Deixa, o tempo cura tudo". Pf! Conversa fiada. O tempo não cura nada. Não adianta esperar pelo tempo, porque ele não resolve nossos problemas como todos dizem. O tempo não aplaca saudades, não repara mal entendidos. O tempo não pede perdão por você, o tempo não arranca a mágoa do peito. O tempo só mascara... O tempo ameniza em doses homeopáticas aquela dor que antes era tão insuportável, mas isso não é cura, é costume. A gente passa a conviver com esses conflitos, com essas dores, com esses sentimentos trancados dentro de nós e uma hora ou outra nosso lado mais insano prevalece. Então, eis aí a grande questão que ainda não obtive resposta, como lidar? Ao final somos apenas isto... Uma água fina que escorre dentro de uma gruta vazia. Somos VAZIOS. E a nossa vida é correr incansavelmente tentando preencher nossas ausências...
Pedaços.
Eis nós aqui outra vez, mesclando nossa liberdade de ação
com a indiferença, erguendo nosso orgulho, razão e juízo contra a parte mais
frágil de nós. O que há depois disso? Acaso não há uma reação para toda ação?
Passam-se então os momentos, os dias e mais dia menos dia, estaremos vazios de
novo, procurando o nosso porto seguro nos olhos de quem nos acolhe, sem no
entanto, encontra-los. Esse é o ciclo da vida, apesar de dizerem que não há
início e nem fim, todo grande laço, toda forte amizade, todo amor inquebrável e
juras de lealdade eterna entre amigos, irmãos, amantes... Tudo isso pode um dia
se romper. Pode se quebrar.
Quem reconstrói o que você demoliu com suas palavras?
Quem junta os cacos e cola pedacinho por pedacinho quando você vira as costas?
Quem arma uma rede entre nossas distâncias e tenta fazer disso no mínimo algo
bom?
Quem preenche as lacunas do silêncio com uma tentativa ou outra de se
reconectar e depositar amor e cuidado onde em algum momento faltou?Cá estamos nós. Somos uma sociedade entupida de gente egoísta, arrogante e ingrata. Pessoas cheias de razão e de orgulho! Pessoas cheias de coragem quando se trata de lançar doses de indiferença no outro, mas que não possuem a mesma na hora de olhar nos olhos e dizer: “vamos conversar, vamos resolver nossas diferenças, vamos deixar o amor reinar sobre essa pequena farpa no dedo”.Acho que não dá pra falar muito sobre uma situação quando você não está vendo “do lado de fora”, é triste... É doloroso... Mas tudo que nasce, um dia morre.
-
"[...] All the folly of the past
Though I know it is undone
I still feel the guilty one
Still trying to make it right
So I whisper soft your name
And let it roll around my tongue
Knowing you're the only one who knows me
You know me..."
"A culpa é do diabo"
Sei que o diabo sempre foi visto como o vilão universal das coisas ruins que acontecem. Mas venhamos e convenhamos, muitos usam isso por conveniência, ou não? Afinal, soa muito mais bonito dizer que a culpa é de outra pessoa, seja esta um ser de carne e osso ou qualquer figura mitológica/espiritual... Tanto faz, desde que a culpa não seja sua, certo? Vejo isso se repetindo em ciclo doentio desde que me entendo por gente, até porque é mais fácil falar que a culpa é de outro do que admitir que és uma pessoa egoísta, grossa e hipócrita; é mais fácil acusar o diabo, já que ele é mesmo alguém ruim e claro, esse papinho fiado cola com tudo. Mas o que acha de experimentar, pelo menos uma vez na vida, assumir a responsabilidade pelos seus erros, e as consequências dos mesmos? Ou será que vai continuar nessa, postergando sempre uma mudança de atitude e encobrindo suas melecas com desculpas esfarrapadas?
O Gavião e a Tartaruga
- "Devagar se vai longe", sussurrou a tartaruga enquanto um enorme gavião de asas fortes sobrevoava sobre ela caçoando de sua lerdeza.
Ele ria da lama nos seus pés, gritando aos quatro ventos: "Perdedora!".
A tartaruga nada respondeu, não expressou tristeza ou desânimo, simplesmente continuou sua jornada cansativa por entre as árvores, desviando dos buracos e perigos à frente. O gavião estava tão confiante que chegaria primeiro no destino final, confiou na sua própria força, na sua autossuficiência, na sua capacidade de cruzar os ares com seus voos rasantes. E ainda por cima, era capaz de contemplar a linda paisagem vista de cima... Mas, de repente, uma forte chuva de granizo atingiu a localidade, sem tempo de abrigar-se em algum lugar seguro, o gavião fora atingido fortemente na cabeça, desmaiando e espatifando-se no chão, enquanto a tartaruga em segundos encolheu-se em seu casco grosseiro e esperou a forte tempestade passar. Logo depois, espreguiçou-se e continuou sua caminhada.
Moral da história: Não importa quão bom você seja e quão alto esteja, as tartarugas podem ser lentas, mas na hora da tempestade têm onde se abrigar. E você, está preparado para o dia da adversidade ou está perdendo tempo caçoando dos outros?
p.s.: Texto original escrito no dia 06.09.2013
Ele ria da lama nos seus pés, gritando aos quatro ventos: "Perdedora!".
A tartaruga nada respondeu, não expressou tristeza ou desânimo, simplesmente continuou sua jornada cansativa por entre as árvores, desviando dos buracos e perigos à frente. O gavião estava tão confiante que chegaria primeiro no destino final, confiou na sua própria força, na sua autossuficiência, na sua capacidade de cruzar os ares com seus voos rasantes. E ainda por cima, era capaz de contemplar a linda paisagem vista de cima... Mas, de repente, uma forte chuva de granizo atingiu a localidade, sem tempo de abrigar-se em algum lugar seguro, o gavião fora atingido fortemente na cabeça, desmaiando e espatifando-se no chão, enquanto a tartaruga em segundos encolheu-se em seu casco grosseiro e esperou a forte tempestade passar. Logo depois, espreguiçou-se e continuou sua caminhada.
Moral da história: Não importa quão bom você seja e quão alto esteja, as tartarugas podem ser lentas, mas na hora da tempestade têm onde se abrigar. E você, está preparado para o dia da adversidade ou está perdendo tempo caçoando dos outros?
p.s.: Texto original escrito no dia 06.09.2013
~
o tempo passa
está bem aqui
registrado em minhas marcas
eu percebi
virar gente grande
não tem a menor graça.
está bem aqui
registrado em minhas marcas
eu percebi
virar gente grande
não tem a menor graça.
Eu sou Corpo.
Parecia tão óbvio, mas somente depois de tantos anos pude compreender. A resposta dita e repetida tantas vezes, não tinha valor de resposta. Então de repente, como se tivessem apertado um botão vermelho em minha mente, tudo passara a fazer sentido. Como uma cortina que se abre lentamente, como uma água sendo purificada, consegui entender o verdadeiro sentido de estar aqui. Ouvi a história dos policiais e bombeiros que corriam de encontro às torres gêmeas em ruínas, tentando ajudar as pessoas, enquanto todos simplesmente corriam de pavor, de medo, tentando salvar suas próprias vidas. Fez-se a analogia com a missão da igreja no mundo, enquanto ele desmorona e todos fogem de tentar ajudar e salvar quantos puder, existem aqueles que correm em direção ao caos, tentando resgatar pessoas, mesmo que essa atitude teoricamente insana custe sua própria vida. Ouvi calada, degustando cada sílaba, processando cada vírgula, me alimentando de uma verdade incontestável - a igreja também tem se tornado um prédio em ruínas. Pessoas têm desmoronado, morrido, se perdido em meio os gritos e poeira nos olhos... Pessoas tem caído todos os dias, em várias partes do globo. Mas há aqueles que procuram ser o sustento uns dos outros, suportando em amor como diz a palavra, sendo luz em meio tanta escuridão e cauterização no coração. Fui aquecida por aquela ministração, senti esperança como há muito tempo não sentia, pude contemplar de forma doce o agir do amor de Deus em cada momento. Para muitos, pode ter sido apenas mais um culto... Para mim, foi uma das maiores descobertas dos meus vinte e dois anos de vida. Entendi que não vou à igreja para simplesmente me sentir bem e ser edificada, e se isso não acontece, eu reclamo. Compreendi que há maior grandeza em ser igreja, do que estar em uma. Temos o papel de servir e edificar, porque somos parte de um mesmo corpo, e se isso não acontece... O que eu sou afinal?
Era só isso.
Assinar:
Postagens (Atom)
