Vida.

A gente tenta ser simples, mas continua complexo.
Nessas idas e vindas e tentativas frustradas de descomplicar a vida, ela cada vez mais se enrosca, se embola, se estapeia com seus conceitos que mudam dia a dia.
E o fácil fica tão difícil de ser correspondido, as pequenas coisas vão se perdendo com o corre corre, e a gente vai esquecendo a graça das pequenas coisas; e passamos a não ser recíprocos no sorriso, no "muito obrigada", no abraço e em demonstrar o que sentimos por todas as pessoas que amamos.
E a vida passa, fria, cautelosa, cheia de dedos e economia com ações que deveriam ser dadas em abundância. E a vida se torna medíocre, mesquinha... Sem valor.
Não sei porque continuamos complicando todo o universo que nos cerca, quando tudo deveria ser simples, quando ser simples bastaria para tudo.
Sendo bobagem ou não, expressar o que se sente seja da maneira que for, continuará sendo algo de valor, porque se fosse uma besteira não haveria porque existir carinho... Manterei minhas palavras, meus textos bobos, minhas idiotices de criança, porque é com as crianças que tenho apreendido o valor de um sorriso e de um atitude de gratidão. Mesmo que o mundo se torne frio e impermeável aos sentimentos bons, a gente precisa manter esse nosso lado de criança, pois, ao menos a criança sabe corresponder quando alguém a trata com amor.

Só acho.

" [...] Que minha solidão me sirva de companhia
que eu tenha a coragem de me enfrentar
que eu saiba ficar com o nada
e mesmo assim me sentir
como se estivesse plena de tudo".

{Clarice Lispector}

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Lancemos aglutinante asfáltico sobre estes buracos, plantemos flores à beira da estrada, sentemos a cada por do sol abaixo da árvore da Vida e esperemos por outro raiar do dia. Porque o amor é assim, uma caminhada longa e complicada, caminhada essa que poucos estão dispostos a fazer. Dói o pé, cria bolhas e em certos momentos você se sente tão cansado, mas Deus é tão bom que deposita forças e graça a cada dia. Que saibamos usar as dificuldades a nosso favor, que isso nos faça crescer, que faça de nós um ser humano melhor... Porque somos parte um do outro, somos um só.

Bom dia!

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Nosso tempo aqui é tão curto, mas mesmo assim insistimos em viver como se nossa passagem aqui na terra fosse longa, mas não é. Eu não sei nada sobre o tempo e sobre as rotas da vida, a única coisa que eu sei é que não temos todo o tempo do mundo, nem todas as oportunidades para acertar, mas há escolhas na vida que são únicas e a pergunta que te faço é: Direita ou Esquerda? Você precisa escolher para onde está indo. A vida é preenchida por escolhas e agora é a sua vez de tentar acertar.

Bom dia!

Vazio

Existe uma parte de mim que tenta compensar os estragos das "ausências"; e quando digo ausências não falo somente de pessoas, mas de momentos, coisas e sentimentos. Abstratos. Intocáveis. Eu defino como ausências por não saber exatamente o que ou quem são, sei somente que faz falta.  Essa minha parte pode ser nomeada basicamente de estressada, ansiosa e possui níveis de sanidade mental totalmente alterado. É controladora, tem um senso de justiça apurado e explode frente às desigualdades e impunidades do mundo. Essa parte se diz forte, mas não é. É impulsiva, agressiva... Ela é sangue.
Já a outra metade tenta o diálogo. Consegue lidar com desafios e experimenta da tolerância e complacência. Teoricamente ela tenta compensar a outra parte que é totalmente descompensada. Aí vão horas com autoterapias musicais, e outras válvulas de escape que surgem no meio do caminho. Ferramentas úteis na hora de tentar não enlouquecer. É conflitante tentar entendê-las. É angustiante viver entre essas duas pessoas que no final das contas sempre serão eu. É difícil dominá-las, digeri-las e transformá-las em algo menos "agressivo" para o lado externo. É difícil ter uma linha de personalidade tão definida e tentar
confrontá-la e maquiar certos sentimentos. Como lidar?
E cá estou eu me afundando cada vez mais em cavernas dentro de mim, acreditando que a melhor solução para todas as "outras coisas" é guardar em algum buraco dentro do coração e lançar ao esquecimento os problemas que considero insolucionáveis. Dizem: "Deixa, o tempo cura tudo". Pf! Conversa fiada. O tempo não cura nada. Não adianta esperar pelo tempo, porque ele não resolve nossos problemas como todos dizem. O tempo não aplaca saudades, não repara mal entendidos. O tempo não pede perdão por você, o tempo não arranca a mágoa do peito. O tempo só mascara... O tempo ameniza em doses homeopáticas aquela dor que antes era tão insuportável, mas isso não é cura, é costume. A gente passa a conviver com esses conflitos, com essas dores, com esses sentimentos trancados dentro de nós e uma hora ou outra nosso lado mais insano prevalece. Então, eis aí a grande questão que ainda não obtive resposta, como lidar? Ao final somos apenas isto... Uma água fina que escorre dentro de uma gruta vazia. Somos VAZIOS. E a nossa vida é correr incansavelmente tentando preencher nossas ausências...

Pedaços.

Eis nós aqui outra vez, mesclando nossa liberdade de ação com a indiferença, erguendo nosso orgulho, razão e juízo contra a parte mais frágil de nós. O que há depois disso? Acaso não há uma reação para toda ação? Passam-se então os momentos, os dias e mais dia menos dia, estaremos vazios de novo, procurando o nosso porto seguro nos olhos de quem nos acolhe, sem no entanto, encontra-los. Esse é o ciclo da vida, apesar de dizerem que não há início e nem fim, todo grande laço, toda forte amizade, todo amor inquebrável e juras de lealdade eterna entre amigos, irmãos, amantes... Tudo isso pode um dia se romper. Pode se quebrar.
Quem reconstrói o que você demoliu com suas palavras?
Quem junta os cacos e cola pedacinho por pedacinho quando você vira as costas? Quem arma uma rede entre nossas distâncias e tenta fazer disso no mínimo algo bom? Quem preenche as lacunas do silêncio com uma tentativa ou outra de se reconectar e depositar amor e cuidado onde em algum momento faltou?
Cá estamos nós. Somos uma sociedade entupida de gente egoísta, arrogante e ingrata. Pessoas cheias de razão e de orgulho! Pessoas cheias de coragem quando se trata de lançar doses de indiferença no outro, mas que não possuem a mesma na hora de olhar nos olhos e dizer: “vamos conversar, vamos resolver nossas diferenças, vamos deixar o amor reinar sobre essa pequena farpa no dedo”.Acho que não dá pra falar muito sobre uma situação quando você não está vendo “do lado de fora”, é triste... É doloroso... Mas tudo que nasce, um dia morre.

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"[...] All the folly of the past 
Though I know it is undone 
I still feel the guilty one 
Still trying to make it right
So I whisper soft your name 
And let it roll around my tongue 
Knowing you're the only one who knows me 
You know me..."

"A culpa é do diabo"

Sei que o diabo sempre foi visto como o vilão universal das coisas ruins que acontecem. Mas venhamos e convenhamos, muitos usam isso por conveniência, ou não? Afinal, soa muito mais bonito dizer que a culpa é de outra pessoa, seja esta um ser de carne e osso ou qualquer figura mitológica/espiritual... Tanto faz, desde que a culpa não seja sua, certo? Vejo isso se repetindo em ciclo doentio desde que me entendo por gente, até porque é mais fácil falar que a culpa é de outro do que admitir que és uma pessoa egoísta, grossa e hipócrita; é mais fácil acusar o diabo, já que ele é mesmo alguém ruim e claro, esse papinho fiado cola com tudo. Mas o que acha de experimentar, pelo menos uma vez na vida, assumir a responsabilidade pelos seus erros, e as consequências dos mesmos? Ou será que vai continuar nessa, postergando sempre uma mudança de atitude e encobrindo suas melecas com desculpas esfarrapadas?

O Gavião e a Tartaruga

- "Devagar se vai longe", sussurrou a tartaruga enquanto um enorme gavião de asas fortes sobrevoava sobre ela caçoando de sua lerdeza.
Ele ria da lama nos seus pés, gritando aos quatro ventos: "Perdedora!".
A tartaruga nada respondeu, não expressou tristeza ou desânimo, simplesmente continuou sua jornada cansativa por entre as árvores, desviando dos buracos e perigos à frente. O gavião estava tão confiante que chegaria primeiro no destino final, confiou na sua própria força, na sua autossuficiência, na sua capacidade de cruzar os ares com seus voos rasantes. E ainda por cima, era capaz de contemplar a linda paisagem vista de cima... Mas, de repente, uma forte chuva de granizo atingiu a localidade, sem tempo de abrigar-se em algum lugar seguro, o gavião fora atingido fortemente na cabeça, desmaiando e espatifando-se no chão, enquanto a tartaruga em segundos encolheu-se em seu casco grosseiro e esperou a forte tempestade passar. Logo depois, espreguiçou-se e continuou sua caminhada.

Moral da história: Não importa quão bom você seja e quão alto esteja, as tartarugas podem ser lentas, mas na hora da tempestade têm onde se abrigar. E você, está preparado para o dia da adversidade ou está perdendo tempo caçoando dos outros?


p.s.: Texto original escrito no dia 06.09.2013